Numa entrevista ao Público, em Março de 2005, Manuel Castells faz um balanço da “Estratégia de Lisboa”, de cuja concepção foi um dos inspiradores, e defende que o investimento na educação deve ter como objectivo transformar o sistema educativo português:
“Há quem pense que a única coisa que precisamos de fazer é investir na educação e que o resto virá por si. Pensa que sim?
Não é verdade. Se se investe mais dinheiro para fazer a mesma coisa, o único resultado que se atinge é uma maior taxa de abandono escolar. Há que investir mais (porque a inovação não é barata), mas de maneira distinta. O que o ensino secundário obrigatório até aos 16 anos está a provocar em países como Espanha e Portugal é uma taxa de abandono escolar muito mais alta entre os 14 e os 16 anos.
Mas pode investir-se em educação com outros critérios, noutros sistemas de ensino…
Se se trata de investir para transformar o sistema educativo, é claro que o devemos fazer. Precisamos de investir em formação profissional de um novo tipo (mais do que em educação tradicional); precisamos de investir numa educação que possua maior interacção com o novo sistema tecnológico – mas dentro dos próprios currículos e não ao lado, não estou a falar de aulas de Internet. Aquilo que precisamos de investir na educação não são forçosamente mais recursos: é mais inovação administrativa, mais inovação cultural.