Reforma do Ensino Superior – Autonomia ou Independência

By Vitorino Seixas

A propósito da aprovação, no passado dia 14 de Junho, da Proposta de lei do regime jurídico das Instituições do Ensino Superior, que regula aspectos como a autonomia e os princípios de organização e gestão das universidades, e garante maior responsabilidade e capacidade de decisão aos seus responsáveis, eis um extracto do livro “Conversas com Manuel Castells”:

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O único papel da universidade é a sua independência. Só no seio de uma universidade podem os investigadores ser livres e só da liberdade de pensamento pode a ciência e a cultura desenvolver-se a longo prazo. E a protecção desta independência está assente na ideologia, na tradição e nas redes de protecção social por elites de origem universitária.

Todas as boas universidades têm só uma coisa em comum: são independentes do poder exercido directamente por governos ou interesses privados. De facto, as universidades são o último e o único espaço de relativa liberdade, onde as pessoas podem pensar independentemente, pesquisar com independência e, se estiverem dispostas a viver modestamente, a investigar com muito poucos recursos na maioria dos campos. Esta independência colhe as suas raízes nas instituições de autogoverno. Retire-se esta liberdade, submetam-se as universidades à lógica do mercado, ou às ordens de um governo e matar-se-ão as fontes de inovação científica, tecnológica e cultural das nossas sociedades. De facto, a maioria dos empresários percebe isso muito bem e defende a autonomia das universidades, porque pode beneficiar da abertura que caracteriza a investigação universitária.

Sem liberdade na universidade não teria havido Internet, computarização avançada ou engenharia genética. Só o empresariado mesquinho tenta penetrar numa das derradeiras áreas não submetidas à lógica comercial, porque os especuladores não se ralam com as consequências para a sociedade em geral das suas vistas curtas. É aqui que a ideologia da tradição e o papel das universidades como produtoras de elites as salvam, no último reduto, se serem engolidas pelos burocratas e os especuladores.

È verdade, há uma grande dose de corporativismo e rotina na prática diária do mundo universitário. Mas, tal como a corrupção da política não justifica que abandonemos a política democrática, também o conservadorismo cultural das universidades e o seu elitismo aristocrático (particularmente irritante na sua versão de esquerda) não é argumento suficiente para as reduzir a departamentos de recursos humanos do mundo empresarial.”

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Uma Resposta para “Reforma do Ensino Superior – Autonomia ou Independência”

  1. pistaslot Diz:

    Não é a liberdade (mesmo, a liberdade em geral) o PODER de ser livre?

    Pois, se não podemos ser livres, já não somos livres: mas, somos se quisermos ser!

    E… a liberdade, por excelência a liberdade universitária, não serve para mais nada que não para ser exercida…

    João L. S. Gama

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