“Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem vai comer. Se a criança se recusa a comer pode haver duas explicações.
Primeira, a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a criança a comer quando está sem fome, há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o acto de comer. É assim que muitas crianças acabam por odiar as escolas. O vómito está para o acto de comer como o esquecimento está para o acto de aprender. Esquecimento é uma recusa inteligente da inteligência.
Segunda, a comida não é a comida que a criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre … As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que vêem. Devoram tudo… Tudo é motivo de espanto. Nunca estiveram no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação à curiosidade… Não era necessário nenhum artifício de motivação. As crianças queriam comer tudo o que viam…”
“A casa, a escola”, Rubem Alves
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