Falta uma Escola de Gestão (à) portuguesa

By Vitorino Seixas

Sendo as organizações constituídas por pessoas, espelham este tipo de perfil ou têm, na sua perspectiva, um perfil já mais orientado para a estratégia?

As organizações portuguesas não tiram normalmente partido das características positivas portuguesas que são a capacidade de trabalhar em equipa e a criatividade difusa. Insistem mais na regulamentação, na produção de regras, na produção de regulamentos até à exaustão, em lugar de tirarem partido da flexibilidade típica dos portugueses.

Tal pode dever-se ao nosso país ter tido até recentemente, até há cerca de 20 anos atrás, um grande peso em termos do sector público?

É uma hipótese. Digamos que nós ligamos mal com a burocracia. Nós exageramos tremendamente a burocracia. Enquanto os criadores da burocracia, os alemães, têm poucas leis, poucas situações imperativas e são muito mais permeáveis ao acordo entre pessoas, acordos laborais, nós temos legislação laboral rígida. Enquanto eles têm acordos de fornecimento, nós temos contratos imperativos. Portanto, a gestão portuguesa digamos que é importada e como não funciona exagera-se fazendo mais do mesmo constantemente, mais legislação, mais situações imperativas, em lugar de tirar partido daquilo seriam as características positivas da cultura.

No seu entender quais são os factores que têm levado a esta ineficiência?

Falta de escola de liderança. Falta uma escola de gestão portuguesa. Nós limitamo-nos na maior parte das vezes a copiar modelos estranhos, modelos americanos. O mundo anglo-saxónico exerce sobre nós um fascínio absoluto no domínio da gestão, e se calhar noutros, quando o perfil cultural português é avesso a qualquer tipo de cultura anglo-saxónica.”

Entrevista da Dianova ao Prof. Dr. Albino Lopes do ISCTE


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