A avaliação 360º da Escola do Lumiar

By Vitorino Seixas

“Os pilares da Lumiar são singelos e igualmente importantes: liberdade, cidadania e aprendizado profundo. Fácil de escrever. O primeiro, liberdade, parte de um pressuposto: de que aprendizado com valor residual só acontece quando há, de um lado, uma criança ou pessoa efectivamente interessada naquilo naquela hora e, de outro, alguém que esteja ensinando a partir de um conhecimento profundo e, especialmente, apaixonado.

O tutor alinhavaria com a criança e seus pais um contrato trimestral, onde alinhariam o parâmetro de conteúdos do MEC, o momento da criança e a expectativa dos pais. No final do trimestre, fariam uma avaliação de 360 graus, onde a criança avaliaria a escola, o educador, os mestres e mesmo os pais enquanto educadores, e os pais fariam o mesmo. E, claro, o tutor também mediria o aprendizado e a contribuição dos pais. Dessa rica discussão nasceria o contrato do trimestre seguinte. E assim por diante, dos dois (contribuição menor, mas importante da criança), até a criança estar pronta para sair pela vida, emancipada em todos os sentidos.

Na Lumiar, as crianças se comprometem com um curso, mas podem revê-lo se acharem que está chato. O mestre, com ajuda do Instituto, tem de conseguir “passar a matéria” sem que as crianças queiram sair para jogar bola. Nas nossas escolas, há jogos, esportes, DVD e videogames disponíveis o dia inteiro. O professor precisa conseguir competir com isso. Os nossos, depois de algum tempo, aprendem a fazê-lo – transformando disciplinas áridas em magia do conhecimento. Seja fazendo maquetes com arquitectos – para aprenderem geometria, cultura, história e física – seja no projecto de meses de estudo do tatu-bola, ou mesmo no “curso” de bicicleta, onde aprendem inglês, como desenhar um círculo perfeito (3.1416 x r², anote) e o que acontece na física quando se bate a bicicleta.”

In “Pequena Escola da Liberdade” do livro “Você Está Louco!” de Ricardo Semler

Textos sobre a Escola do Lumiar


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