Os mercados financeiros estão totalmente fora de controlo

By Vitorino Seixas

Aquilo que os dados demonstram não é o regresso ao ciclo económico tradicional, mas sim o surgimento de um novo tipo de ciclo económico, de um novo modelo de empresa, marcado pela volatilidade e pela alternância de subidas e descidas radicais da valorização de mercado, resultado das turbulências de informação que combinam os critérios económicos com outras fontes de valorização.

Na era da Internet, caracterizada pela existência de mercados financeiros sistemicamente voláteis e regidos pela informação, a capacidade para viver perigosamente converte-se em parte integrante do estilo de vida empresarial.

Os mercados financeiros, na generalidade, estão totalmente fora de controlo. Converteram-se numa espécie de autómato, com movimentos repentinos que não respondem a uma lógica económica estrita, mas sim a uma lógica de complexidade caótica, que resulta da interacção entre milhões de decisões que reagem em tempo real, num âmbito global, perante turbulências de informação de origem diversa, entre as quais se contam as informações económicas sobre benefícios e ganhos. Ou a sua antecipação. Ou o oposto daquilo que se esperava.

A integração global dos mercados financeiros está a dificultar cada vez mais a sua regulamentação por parte de organismos nacionais, ou mesmo internacionais. Como os mercados de divisas realizaram, em média, mais de dois biliões de dólares diários no ano 2000, é fácil compreender a razão pela qual a intervenção conjunta dos bancos centrais da União Europeia, EUA e Japão no apoio ao euro, em Setembro de 2000, não conseguiu inverter a sua queda, até que os mercados decidissem detê-la.

In “A Galáxia da Internet”, Manuel Castells (2001)

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