De facto, a “invenção” dos centros para reconhecimento e validação das aprendizagens informais e não-formais deveu-se, antes de mais, à vontade de motivar e de reforçar a confiança das pessoas adultas para entrarem num percurso vitalício de desenvolvimento pessoal, com as consequentes implicações de natureza cultural, social, profissional e cívica.
Ora, em especial no que se refere ao nível secundário, onde não é possível em regra uma rápida certificação e se exigem complementos de formação, mais ou menos longos, mais ou menos diversificados, é ainda carente ou inadequada a oferta existente. Falta uma das peças do “puzzle”, já esboçada no Documento elaborado há 10 anos: a “Tele-Educação de Adultos”, assente numa combinação de ensino a distância e de tutores de proximidade.
E falta igualmente, como vector essencial para assegurar o equilíbrio, instável mas criativo, entre tendências centralistas e descentralizadoras no campo da educação-formação de adultos em Portugal, uma organização não-governamental que, à escala nacional, possa reunir e representar as organizações e os agentes, hoje já bastante numerosos, experimentados e conhecedores.
Acredito que este nosso Sector está a atingir um patamar de consolidação e maturação, e simultaneamente de exigência de reflexão e reavaliação, que justifica e reclama que seja dado um salto qualitativo em direcção a uma plataforma nacional capaz de promover o encontro de experiências e opiniões entre os intervenientes, de dialogar com os poderes públicos no sentido de aperfeiçoar programas e práticas e de representar o país, quer em projectos transnacionais quer em redes e assembleias europeias ou mundiais.
In”A Nova Educação-Formação de Adultos em Portugal pede uma organização nova”, Alberto Melo
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