Temos de pôr fim a esta escola liofilizada

“Por tudo o que acabei de dizer só se pode concluir que a instituição escolar que herdamos do Séc. XVIII já não serve as necessidades educativas, já não abarca as missões que lhe estão destinadas, no Séc. XXI. Temos de pôr fim a esta escola liofilizada, frágil, mirrada, que não tem arcaboiço para fazer face aos desafios, aos mandatos, à carga de mandatos (carga esta a rever urgente e politicamente) que sobre ela colocamos.

A tendência geral, porém, não é esta. Pretende-se, equívoco dos equívocos, simplificar a escola, torná-la a escola dos exames, das aulas e das pautas afixadas no fim do ano, a escola fabril, a fábrica de alunos, no exacto momento em que fica claro que a missão da escola tem de se complexificar, porque a instituição educativa escolar já se complexificou e já só falta adaptar a sua organização, os seus intervenientes, as suas relações locais, os seus objectivos, os seus projectos.

Os professores não podem trabalhar mais isolados dentro da escola (esse conceito de sala de aula como caixa negra é algo tétrico e macabro em educação escolar!); a actividade de reflexão em equipa sobre a acção educativa concreta, em cada escola, é um caminho irrecusável de melhoria; os professores também não podem trabalhar sem a cooperação de outros profissionais, dentro e fora da escola (perspectiva interprofissional); os professores precisam de se organizar em torno de movimentos de renovação educacional; a escola não pode trabalhar mais isolada da comunidade local e dos seus recursos educacionais (perspectiva interinstitucional) e as comunidades não podem continuar alheias ou observadoras longínquas das suas instituições educativas escolares.

O tradicional modelo institucional escolar está em crise e em crise profunda. O anacronismo da instituição escolar face aos desafios dos dias de hoje salta à vista.

De nada adianta entrarmos no futuro às arrecuas, a olhar deslumbrados para a escola do passado ou a fazer discursos encantatórios sobre a escola do futuro. Como dizia José Régio: “sei que não vou por aí!”. Temos de mudar a organização, os agentes técnicos, os modos de gestão do tempo, os ritmos de aprendizagem, o exercício profissional isolado, deveremos acabar com esta estúpida uniformização que hoje se pretende continuar a impor às escolas.”

In “Repensar a política para a educação”, Joaquim Azevedo (2009)

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Uma resposta para “Temos de pôr fim a esta escola liofilizada”

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