O processo de “construção” de competências é distinto da aquisição tradicional de saberes: traduz um deslocamento entre um sujeito consumidor de formações para um indivíduo actor da sua formação e do seu percurso profissional (Merle, 1997-a). A construção das competências é progressiva, e a experiência assume um papel determinante no processo de consolidação dos saberes. A construção de competências implica um processo dialéctico entre acção e reflexão, entre a actividade e a sua conceptualização. As competências desenvolvem-se na acção, através de diferentes tipos de processos e de acordo com diferentes lógicas, mas em articulação com a reflexão (Witorsky, 1998): através do exercício reflexivo na acção, sobre a acção ou antecipando a acção.
A perspectiva tradicional da formação inicial, que procura preceder o trabalho, não é mais adequada aos desafios colocados nos dias de hoje. As profundas mudanças sociais, em termos gerais, e as do mundo do trabalho e das organizações, em particular, exigem a adopção de novos quadros de referência para a acção educativa.
In “Aprendizagem de adultos: contextos e processos de desenvolvimento e reconhecimento de competências”, Ana Luísa de Oliveira Pires
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