Um sistema de educação baseado nos exames é uma imbecilidade

Compara muitas vezes um professor a um treinador. Porquê?
Porque todos os estudantes são diferentes. Ter essa consciência é um cuidado que qualquer pessoa deve ter. Sobretudo com os que ficam para trás ou nas margens. Esses requerem um trabalho individual, como numa equipa de desporto. Depois, há os excepcionais, aos quais temos de colocar desafios. Daí que um professor tenha de conhecer todos os estudantes que tem na sala de aula, como pensam, quais as suas capacidades e, com esse conhecimento, tirar o melhor deles. Porém, não se consegue atingir essa meta com um sistema baseado em exames. É um tipo de ensino impessoal, em que apenas se vai às aulas, nunca se conhece os professores e depois tem-se um exame que nos filtra. Quando se passa, é-se bom, caso contrário, é-se mau. É uma visão patética. O que mais me entristece na sociedade portuguesa é só se associar o rigor no ensino aos exames. Só há uma palavra para definir isso: imbecilidade. São pessoas que não percebem nada de educação.

In “O futuro passa pelas universidades”, Entrevista com António Câmara (páginas 6 a 9)

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