Mas o papel da escola e do professor é evitar erros inúteis. O importante é fazer com que os alunos confiem em sua capacidade de desenvolvimento positivo, tornando-os progressivamente senhores de seu desenvolvimento. Isso é a conquista da autonomia. O erro não deve ser considerado uma falha, mas algo que tem sentido e pode ajudar a ensinar. Ele é um indicador de como o aluno raciocina. O professor pode se organizar para que todos façam o menor número de erros possível escolhendo bem as situações de aprendizagem, com níveis de dificuldade coerentes com a capacidade da turma. Ao ensinar a criança a nadar, por exemplo, não podemos levá-la ao mar bravo. É quase certo que ela terminará por afundar e se engasgar. E ainda vamos dizer: “Infeliz! Não é assim que se faz!” Essa criança deve começar suas aulas numa piscina. A piscina é a escola. É um meio que protege, mas que assim mesmo traz a dificuldade essencial, que é a água. Os erros, como afundar ou engasgar, são naturais. Mas com o tempo ela passará a mergulhar de cabeça, boiar, nadar…
In “É preciso apostar na inteligência dos alunos“, Charles Hadji
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