“Quanto às Novas Oportunidades para os jovens e os adultos, as certificações do 9º e do 12º anos suscitam-me as maiores reservas. Não pelo objectivo, mas pelo modo, pelo volume e pelo tempo.
Desde logo, os processos para a identificação de competências ao longo da vida e a respectiva certificação revestem-se da maior aleatoriedade. Em especial, porque conhecemos a falta de rigor e de exigência que caracterizam a nossa vida e a facilidade com que se certifica seja o que for. Todos o sabemos.
O panorama das certificações é desolador, um pouco por toda a parte e em todos os sectores. Designadamente, no do ensino. Com a agravante de que essa primeira formalidade – de rigor mais que duvidoso, repito – abre caminho a uma breve aprendizagem que conduz a outra certificação, essa a do 12º ano.
Esse percurso, quase só formal, rápido e pouco controlado, está longe de assegurar o que se ambiciona e que é essencial: a aquisição de mais e melhor saber, de acrescida competência. Isto é, a verdadeira qualificação de que tanto se fala.
Tudo isto se torna mais nebuloso e preocupante quando se fica a saber, pela palavra do primeiro-ministro, que o objectivo visado consiste em “qualificar 1.000.000 de activos até 2010”.
As Novas Oportunidades, se se seguir o figurino tradicional, ou próximo, poderão ter o mesmo tratamento e conduzir à mesma frustação.
Em suma e em geral, afigura-se-me que elas se revestem dos vícios que usualmente acompanham quase todo o nosso ensino, nos seus vários sectores e níveis: facilidades e dinheiro a mais, exigência a menos, desorganização, irresponsabilidade, ausência de avaliação e de resultados, dissipação de meios, preocupação estatística, desprezo pela qualidade e pelo mérito. Uma vergonha, em suma.
O festejado Plano Tecnológico acabará por ser, muito provavelmente, um novo falhanço.”
In “O Dever da Verdade”, Medina Carreira e Ricardo Costa