Para ensinar, é preciso saber fazer amor

Não acredito que o amor possa ser dito com os gráficos científicos de Master & Johnson. Não acredito que o ato de educar possa ser dito na precisa linguagem das “ciências da educação”. Conheço melhor o amor e a educação através das analogias poéticas.

As Sagradas Escrituras, que nada sabiam de ciência do amor e de ciência da educação, fazem uso de uma analogia insólita que liga a experiência fundamental da educação, o ato de conhecer, ao ato de fazer amor. Diz ela: “E Adão conheceu a sua mulher, e ela concebeu e pariu um filho…”

Se Nietzsche disse que, para pensar, é preciso saber dançar, digo eu que, para ensinar, é preciso saber fazer amor. Fazer amor é como conhecer; conhecer é como fazer amor. Assim dizem as Escrituras Sagradas. Assim diz a psicanálise.

O uso da analogia não indica pobreza de conhecimento, como quer a ciência. Indica exuberância, excesso, transbordamento coisas, sozinhas, não se dizem. É preciso que outras coisas as digam. Pois eu estou dizendo que o ato de educar se revela no ato de fazer amor. Quem aprende dos amantes fica um melhor educador. Os alunos conhecerão, conceberão e parirão…

In “Sobre transar e ensinar”, Rubem Alves

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