Há professores e pais que têm a extraordinária capacidade de provocar a impotência da inteligência

A educação é a continuação dessa primeira transa entre a boca e o ouvido. Assim é. A fala é fálica. A palavra é pénis. Masculina. No silêncio é como se não existisse. Mas aí ela toma forma, cresce, se alonga em busca de um ouvido. Que seria da palavra sem o vazio do ouvido que a acolha? A palavra deseja penetrar o ouvido. O ouvido é um vazio. Ele recebe. É feminino. Vaginal.

Mas não basta penetrar. O objectivo da penetração é dentro de quem ouve, uma semente, sémen. A fala quer engravidar o outro. Como diz a parábola de Jesus: “Um semeador saiu a semear…” O ato de educar é uma semeadura.

O autor relatava de uma mulher que se queixava de que todos os homens eram impotentes. Ao que ele comentou:”Ela não percebia que ela tornava os homens impotentes…” A inteligência é assim: há professores – e incluo aqui os professores de escola, pais, mães, instrutores – que têm a extraordinária capacidade de criar impotência de inteligência. (Pois, se existe impotência sexual e a analogia é válida, tem de haver impotência de inteligência.) Seria interessante que houvesse avaliação dos professores para saber quais são os excitantes e quais são os brochantes. Esses últimos são perigosos. Exibem seus talos de saberes para humilhar os que ainda não sabem. O que desejam, mesmo, é produzir eunucos.

É bom pensar a educação como essa orgia de amor.

In “Sobre transar e ensinar 2”, Rubem Alves

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