O mito de que o trabalho nos deve dar a felicidade

No seu último livro, “Alegrias e Tristezas do Trabalho”, o filósofo Alain de Botton explora o que torna o nosso trabalho gratificante e o que nos destrói o ânimo. Botton aborda as grandes questões sobre o nosso trabalho: Que rumo devo dar à minha vida? Como posso conjugar ganhar dinheiro com realização pessoal? O que consegui realizar no final da minha carreira?

Eis algumas citações do livro que mostram a visão de Botton sobre o mundo do trabalho dos tempos modernos (trabalho tem origem em tripalium, um instrumento de tortura):

“Aspecto mais notável do mundo do trabalho: a convicção generalizada de que a nossa actividade profissional nos deve deixar felizes. Todas as sociedades têm o trabalho como seu ponto fulcral; a nossa é a primeira a sugerir que poderia ser mais do que uma punição ou penitência. A nossa é a primeira a dar a entender que devemos procurar trabalhar, até mesmo na ausência de imperativos de ordem financeira.

Magnânime presunção burguesa que nos leva a acreditar que todos podemos encontrar a felicidade através do trabalho e do amor. Não se trata da questão de essas entidades serem incapazes, invariavelmente, de nos proporcionar um sentido de realização pessoal mas sim, e apenas, do facto de quase nunca o fazerem.

De uma maneira geral a vida no escritório desenrola-se por detrás de uma máscara de falsa animação, o que faz com que os funcionários não estejam minimamente preparados para lidar com a fúria e a tristeza que os colegas lhes suscitam continuamente. A civilidade do escritório não seria possível sem as difíceis descolagens e aterragens efectuadas pelo café e pelo álcool.

O escritório contemporâneo é uma entidade extremamente vulnerável às lutas fratricidas, à mesquinhez da não partilha de informações entre departamentos, aos ressentimentos perversos por causa de tabelas salariais não equitativas, ao aparecimento de caspa nos ombros do casaco dos chefes, à separação dos infinitivos nos boletins informativos da empresa e às mãos suadas que se estendem para apertar as de alguém que é um contacto crucial.”

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