A orientação profissional e o capitalismo de casino

Neste contexto – que alguns investigadores em ciências sociais designaram de “capitalismo de casino” – como se comporta o Estado… e, mais importante, como deveria comportar-se?

Frequentemente em muitas partes do mundo, o Estado não cumpre a sua obrigação de proteger as pessoas da insegurança e do medo que tal contexto suscita. Em vez disso, os governos exigem mais flexibilidade no mercado de trabalho e em todas as outras áreas da vida que são reguladas pelas forças do mercado, isto significa ainda mais insegurança. Os governos contribuem, assim, não para diminuir, mas para aumentar a insegurança . Numa posição enfraquecida, o governo, em vez de assumir as suas responsabilidades perante aqueles de quem recebeu o seu mandato, disfarça as suas capacidades e competências demasiado diminuídas para uma liderança responsável, reformulando o défice do estado e apresentando-o como défice individual: não pode ter acesso a uma vida digna porque não tem estudos ou formação suficiente, porque não aprendeu a fazer o seu marketing pessoal para se tornar atractivo aos empregadores, porque não é suficientemente empreendedor, e pior ainda, porque não se converteu fervorosamente ao Evangelho da Aprendizagem ao Longo da Vida . O apelo à “responsabilidade” é, como diria, “o cinismo com que o Estado e as suas instituições encobrem o seu próprio insucesso”.

In “Orientação profissional ao longo da vida, o Estado e o cidadão”, Ronald G. Sultana, Revista Formar

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