Competir no ranking PISA é comprometer o futuro das novas gerações

Nos mercados bolsistas costuma dizer-se que rendimentos passados não são garantia de rendimentos futuros. Este alerta, que consta da informação sobre as acções e os fundos cotados em bolsa, traduz uma realidade que os investidores conhecem há muito. Actualmente, com o aumento exponencial da incerteza nos mercados este alerta transformou-se numa verdade universal.

Fazendo um paralelismo com a educação, será que esta verdade se aplica à educação? Será que os rendimentos obtidos no passado com o investimento na educação são garantia de rendimentos no futuro? Tudo indica que não. Senão vejamos. A educação vive tempos conturbados. A insatisfação é geral. As reformas sucedem-se. É unânime que a educação está doente. Contudo, as opiniões divergem no diagnóstico dos problemas e na prescrição de soluções. Segundo Marc Prensky, há dois factores que estão a condicionar a escolha de soluções. O primeiro, é que os decisores acreditam que a educação do passado lhes permitiu construir carreiras profissionais bem sucedidas e estáveis. Então, acreditam que essa educação também servirá para preparar os jovens para o futuro. O segundo, é que os decisores acreditam que a educação lhes forneceu competências que são intemporais. Acontece que o mundo mudou e continua a mudar a uma velocidade vertiginosa. Do passado, algumas competências continuam válidas mas outras têm de ser substituídas por novas competências.

Neste contexto, Prensky é taxativo: “quando os decisores acreditam que o papel dos professores é melhorar a eficácia da educação do passado estão a comprometer o futuro das novas gerações”. Quando os decisores declaram que uma educação de sucesso consiste em preparar os jovens para competir no ranking PISA, estão a assumir que querem que os jovens compitam no passado. Na visão de Prensky, para garantir que a educação dos jovens proporcionará rendimentos no futuro, não basta competir arduamente com a China, Finlândia e Singapura pelo top do ranking PISA. O desafio principal é outro: fazer diferente e melhor, mudando o que ensinamos e como ensinamos. “Os verdadeiros problemas da educação não têm a ver com os rankings, mas com o futuro”.

Publicado no Diário de Notícias da Madeira em 17 de Junho de 2011

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