Não se combate o abandono escolar com muros e regulamentos

Numa cidade brasileira, agentes da autoridade deram caça a alunos que “matavam aula” (expressão brasileira para gazeta). Capturaram-nos nos parques e nas ruas, ao estilo do bedel de outros tempos. De um lado, professores esforçados e sofridos, dando aula numa escola sem sentido; de outro, matadores de aula, que não as querem receber. Pelo meio, a caça aos matadores e a instalação de catracas.

Para evitar fugas, ou impedir intrusões, muitas escolas completam a catracalização com a instalação de detector de metais, câmaras de vigilância e sofisticados aparelhos de leitura das impressões digitais. Ainda há quem creia que a conversão dos matadores de aula pode ser alcançada vigiando, punindo, tentando transmitir informação moral. Que se desenganem: os valores são construídos em práticas efetivas. Se o “matador” se sentir respeitado, se o vivido entre muros fizer sentido, verá significado em permanecer na escola. Se o não for, que motivos terá para não “matar”?

In “Descatracalizar”, José Pacheco

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